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sábado, 22 de outubro de 2011

Acusados (The Accused), 1988.

Jodie Foster mostrando o que uma atriz de verdade tem...
Imagem: osanos80.blogspot.com
Não sei se esse filme é considerado um clássico pelos críticos de cinema. Para mim é e como eu mando nesse cafofo..rsrsrs...aqui ele é um...clássico. Uma pequena obra-prima.
É um filme que aborda um tema espinhoso até hoje e por isso corajoso. A "mocinha" (Jodie Foster) que de "mocinha" não tem nada é dura, calejada, vulgar e provocativa. Mas tem algo que preserva: sua dignidade e seu direito de dizer "não". Tem algo mais também: coragem para se expor, mesmo sabendo que de vítima poderá se transformar eu culpada por seu modo de vida, seus hábitos e seu comportamento na noite em que o fato ocorreu (estupro). 
Advogada e cliente na mesma sintonia...acusar e punir!
http://cinemacomrapadura.com.br
Mesmo assim não se dobra, não se conforma com o primeiro acordo feito por sua advogada de defesa (Kelly McGillis), e acaba servindo de alerta para sua defensora para o quanto podemos ser medrosos quando temos tudo para sermos acossados ou derrotados. Mesmo assim não desiste (é..e ela não é brasileira, daquela raça que "não desiste nunca"...segundo um slogan oficial).
Nesse filme podemos perceber a grandeza de Jodie Foster como atriz. Fica clara a dimensão complexa que dá à sua personagem  de palavras e gestos duros. Mas ao mesmo tempo sofrida, humana e ciente de seus direitos. Por sua atuação levou o Oscar e o Globo de Ouro.
Sim, ela foi abusada no seu comportamento. Sim, ela estava com raiva do namorado e saiu para a noite, para a "desforra", para esquecer, para provocar, para se vingar, seja lá para o que for. Sim, ela dançou de forma insinuante. Sim, ela deu mole. Sim, ela parecia querer.
Mas ela não queria e disse não. E esse "não" foi ignorado, não apenas pelo primeiro estuprador, mas pelos que se seguiram, incitados por uma platéia masculina, cruel, arrogante e baixa.
Até hoje a culpa pelo estupro muitas vezes é imputada à vítima. Ela me provocou, ela estava de saia curta, ela estava de decotão, ela rebolava o bumbunzinho, ela me olhou com olhos de Capitu...e daí?
Ela não consentiu. Ponto.
Existem mulheres vulgares assim como existem homens vulgares: com frases de duplo sentido, com mãos "bobas", com coçadinhas no saquinho, com piadinhas vulgares, com voz cafajeste..então.podem também ser estuprados? Eles também estão "dando mole"? Se eles disserem não cabe à estupradora enfiar-lhe um Viagra goela abaixo e forçar o ato?
A lição que esse filme nos dá é que independente do que somos temos sempre o direito de dizer: não quero!
 E também o direito de que esse desejo seja respeitado.

sábado, 27 de agosto de 2011

Janela Indiscreta

Vi esse clássico de Hitchcock ainda adolescente, por ocasião de uma semana em sua homenagem, no antigo Cinema Um em Santos. Esse cinema tinha um conceito diferente e foi através de suas semanas dedicadas à este ou aquele famoso diretor que entrei em contato com o melhor do cinema. Lembro que existia uma escadinha que levava à um pequeno bar e de onde também se poderia assistir aos filmes.
Então revi Janela Indiscreta (1954), tudo nele é perfeito: elegante, diálogos afiados, suspense na medida certa e o melhor: o olhar "xereta" na vida alheia que o protagonista (James Stewart) exerce com gosto e sem pudor.
O barulho, a falta de privacidade e as pequenas estórias, enxertadas aqui e ali, ao alcance dos olhos do curioso fotógrafo/jornalista/solteirão/aventureiro caracterizam uma vida coletiva...o cenário mais parece um cortiço. Mas um cortiço charmoso como é do estilo Hitchcock.
Grace Kelly..linda..linda...poucas se comparam à ela em termos de beleza. Tanto tempo se passou e aquela beleza clássica, clean e refinada permanece atual. Suas roupas são lindas e o vestido que posto tornou-se um dos mais conhecidos do cinema.
Enfim, tudo isso junto com uma boa história, um suspense bem amarrado e ótimas interpretações.
Só uma coisinha: em diálogo onde o herói estropiado elenca os motivos por que não pode se casar com a beldade loira...ele cita o Brasil...mais ou menos assim: "....se chover (algo assim) acha que encontraremos guarda-chuva no Brasil?"...na boa, fomos citados como um país para aventureiros indômitos. Tá certo que faz tempo e nossa imagem no exterior não mudou muito,existem ainda os que acham que ao desembarcar no Brasil vão dar de cara com cobras, jacarés e onças pelas ruas.

 Mas guarda-chuva? Faz favor, né?
Que comentário "indiscreto"!!!!

Tá certo que é a Grace, mas qual mulher não se sentiria linda com uma roupinha dessa?
 
Xeretando em grupo!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Revendo os Clássicos

All about Eva

Eis aí um filme no melhor estilo "cinemão": atuações magníficas, direção primorosa, diálogos inteligentes, ganância, inveja, dissimulação, boa fé, manipulação e astúcia.
Fotografia maravilhosa, muito glamour e muita fumaça, em um tempo em que fumar era sinal de sofisticação.
Que delicia rever esse filme! E quantos outros filmes e novelas já foram desdobrados do seu tema central: a rasteira dada quando menos se espera, o invejoso que espera o menor vacilo para tomar o seu lugar.
Bette Davis como sempre engolindo a cena. E uma Marilyn Monroe muito novinha e linda cumprindo direitinho o seu papel.
A Eve de Anne Baxter também não fica atrás, falsa ingênua, conquista a todos com uma aparente humildade e devoção. Um poço de ambição cuja total falta de princípios, faz com que atinja seus objetivos.
Insinuação final do filme: o problema é que existem muitas Eves e ela ainda vai ter a sua! Olha a Marilyn aí gente!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Revendo os Clássicos



Então morreu a linda, a diva enfim uma das maiores lendas do cinema.: Elizabeth Taylor.
Mês passado revi o belo filme "Um lugar ao sol" (A place in the sun), onde ela no auge da juventude e beleza arruina (sem querer) a vida de Montgomery Clift também belo como um deus. O filme tem fotografia (preto e branco) belíssima, belos figurinos, diálogos preciosos...enfim um filmaço.
Eu tenho o livro em que foi baseado "Uma tragédia americana"(1925) de Theodore Dreiser, e o título já diz tudo: o sonho de ascensão social, que te envolve e te apaixona, no caso esse sonho é representado pela moça (Liz Taylor) rica, refinada, bela e mimada por quem o rapaz se apaixonará, o que o conduzirá, levado pela sua própria fraqueza, omissão e fatos que escapam ao seu controle, à uma tragédia que aniquilará sua vida.

Ter revisto esse filme tão pouco tempo antes da morte de Liz Taylor, não me faz percebê-la como a mulher de 79 anos, com um histórico de doenças, cirurgias, casamentos e dizem bebedeiras. Fica essa imagem linda, da atriz carismática, de beleza rara e que encanta até hoje através de seus filmes.

Sua estrela no céu talvez tenha o seu brilho e a cor violeta dos seus olhos!




quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Revendo os Clássicos


O poder antigo se curvando e cedendo espaço ao novo poder.

Meu filho anda gravando uns filmes clássicos, daqueles falados e exaltados, que nunca vi ou já vi e queria rever. Domingo, com toda a família fora, resolvi ver O Leopardo(1963),considerado um dos filmes máximos de Luchino Visconti. O filme é lindo, uma sequência de imagens belíssimas, que lembram afrescos. Um Burt Lancaster admirável,além de Alain Delon e Claudia Cardinali no auge de suas belezas.
É um filme para ser saboreado, sem o ritmo rápido dos atuais. Em torno de uma nobreza que decai, uma burguesia voraz ascende socialmente. Se antes os homens que se dedicavam à política primavam pela soberba ou novos, que tomam seus lugares primam pela voracidade. E observando-se a política praticada nos nossos tempos, percebemos como Visconti tinha razão!


Alain Delon e Claúdia Cardinali, lindos e jovens.